quinta-feira, 31 de março de 2011

Atrevida

Abriu a porta só de calcinha, exibindo sua quase nudez para
o corredor vazio naquela manhã chuvosa que de nada servia.
Na hora da despedida eu boa semana ela boa sorte.



domingo, 27 de março de 2011

Chimarrão na chuva.

Palhaço
Nariz de palhaço

Te vejo a todo momento
Nunca estamos juntos

Um único beijo
Insistência

Penso que sim
Sinto que não

Fico na guarda
faixa de gaza

Sem emoção
Mínima graça

Bom pros outros
Ruim pra mim


domingo, 2 de janeiro de 2011

Corrida Com a Morte

Acidentes no trânsito é uma coisa que incomoda todo mundo.
Tanto pelo motivo de ser uma fatalidade como pelo fato de obstruir a lei da vida, que os mais velhos morrem antes dos jovens.

A cada final de ano ou em datas comemorativas ligando a televisão ou lendo um jornal o sangue escorre, deixando nossas mãos ensanguentadas por imaginar o buraco de queda livre que a família vai viver com uma perda que como se não bastasse, ocorreu entre datas especiais no catolicismo. Marca.

A polícia rodoviária nesses feriados precisam deixar o café preto e seus lanchinhos da tarde de lado e arregaçar as mangas.

É a hora do trabalho.

As vezes penso no trabalho desses caras: passar o dia perambulando em estradas e volta e meia ver corpos entre ferragens de veículos não deve ser nenhum pouco agradável, principalmente depois de passar quase um ano inteiro se alimentando como porcos em uma sala.
No ano inteiro, seu trabalho consiste apenas em ver o movimento passar, e muitas vezes, multar pessoas inocentes que não bebem e não são delatores apenas por ter seus documentos do carro atrasados.

Esses acidentes de trânsito realmente doem, mas o que aumenta a raivar dos cidadãos mesmo são os sujeitos que enchem a cara por aí achando que são invencíveis e dirigem pelas auto-estradas como se não houvesse amanhã.
Geralmente garotos criados a leite de pêra, que apesar de passarem em uma universidade particular ganharam seu carro novo para contribuir com a emissão de CO2 e quem sabe, com menos algumas pessoas que completam famílias atualmente. Ou então alguns tiozões mesmo, que passam dos limites na bebida por não funcionarem mais muito bem com suas mulheres e essas ocasiões são as chances de meter o pé no acelerador e fazer seu coração bater mais forte pelo menos em uma estrada. Os prostíbulos estão cheios de velhos desse tipo, mas ainda tem os que preferem estradas e cheiro de gasolina.

Uma das soluções para isso, acredito que seria o aumento de transportes públicos e maior utilização de rodoviárias. Profissionais capacitados levam pessoas a lugares onde elas querem.
Menos glamour? É claro. Imaginem o quão difícil seria para um sujeito que não é nada sem seu carro andar de ônibus para cima e pra baixo. Algo como se sentir chorume, o suco do lixo.

Estes ainda são problemas que assolam nossa geração, e muitas vezes fazem datas especiais se tornarem datas problemáticas, onde a cada ano novo natal ou carnaval fazem você se lembrar de pessoas especiais que se foram.

Lembranças que vem como as que vieram da do ano que se foi, o dia das crianças que hoje não é comemorado por um adulto, ou o segredo de Noel que a criança deixou de acreditar.

Não tem mais volta.











sábado, 13 de novembro de 2010

Um garoto bom que lê coisas ruins.

É,
é assim que tenho me denominado ultimamente.
Um cara que estuda, trabalha em busca de um lugar ao sol na profissão e final de semana sai para bebericar com algumas garotas ou com os amigos.
Até aqui tudo simples. Coisas básicas da vida de qualquer estudante interiorano ou mesmo da capital que já está achando tudo um saco sem muito charme para o que era há alguns 4 anos atrás.
Isso pode ser culpa do Hunter Thompson com seu olhar pessimista e ácido sobre quase tudo que escreve. Falar coisas que deixavam Nixon se sentindo uma merda de cachorro a cada jornal ou revista que faziam seus olhos sangrarem de raivar pelas críticas ao seu governo feitas por um cara que destruiu o American Dream em Medo e Delírio em Las vegas e como se não bastasse surgiu quase que do nada e virou um líder de opinião, criticando o academicismo da comunicação e os pesadelos de cada jornalista engravatado fazer de suas versões de fatos uma não-história.
Acho que não necessariamente você é o que você lê, mas o que lê influencia o modo das coisas que você vê. Como diz OSHO, tudo o que você monta de desgraças ou coisas impondo limites para sí mesmo não passam de ideias na sua cabeça, e o que você lê, vê e interage afetam criando consequências para isso.
Ler e depois trazer a versão dos fatos é algo realmente muito importante que vai depender invariavelmente da sua bagagem cultural. Melinda e Melinda do Woody Allen pode ser um bom exemplo de como uma mesma história pode ser contada com olhares completamente diferentes dependendo de seu narrador.
Todo mundo sabe disso, posso tá aqui falando coisas óbvias mas o que importa é que acho que o que você lê realmente pode fazer você ou dar máscaras a seu ser.
Atualmente estou lendo A Grande Caçada aos Tubarões no Hunter Thompson, e o próximo livro será Delírios Cotidianos do Bukowski.

Boa sorte para o meu destino.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Romance nos livros e filmes. Sexo na vida real.

A vida é muito simplista.
Nada de domingos ensolarados
com os mais mais intensos verões.

Deixamos tudo isso para os livros.
Aqueles livros que nos fazem quase virar
uma noite em claro para ler, que nos fazem
ficar mais tempo com a cabeça no travesseiro sem dormir,
que a gente relê algumas páginas para refletir, e na sorte,
ver alguma nova situação daquilo que já foi lido mas não foi visto.

Nossa vida real merece o sexo.
O toque. A meia-paixão.
O meia hora pós cerveja no bar.

Nos filmes vemos o lado poético da paixão,
a loucura do encantamento em doses homeopáticas.
As conversas que não chegam a lugar algum
porém levam nossa essência tão longe.

Nossa vida é nua e crua.
Sem cuspe. Com pouca poesia.
Primeiro o sexo. Depois paixão.

Azarado de nossos avós que tinham
de se casar para sentir o gosto da maçã,
e ainda sem aquele sabor de fruta mordida.

O romance é a ficção do nosso dia a dia.
Daqueles que a cada livro que lemos
ou filmes que assistimos julgamos seriamente
ter acontecido algo parecido um dia.
Com a gente.




sábado, 17 de julho de 2010

Dia de Chuva

Num dia de chuva aquilo que pensamos vai água a baixo

A essência da gente bate na cabeça tentando sair.

O eu sente vontade de se expressar mas sabe que nada vai sair.

Acredito que em dias de chuva nossa sensibilidade fica a flor da pele louca, insana, incrédula.

Dias de chuva são bons pra pensar, refletir, não fazer nada.

Escrever algo sem sentido, dar descarga nos pensamentos.

fazer isso, sim.


sábado, 12 de junho de 2010

Hoje me deu vontade de conversar com ela.

Ir em um bar beber conversa e jogar cerveja dentro de um copo.

Falar da vida dos outros, da vida dispersa com o tempo.

Tomar uma pisada de um salto alto.

Lembrar de um vinho que não foi tomado no inverno.

Colocar meus olhos no bolso e voltar pra casa.

Com um sorriso de canto de boca que atrapalha a passagem dos carros na rua.

Com um cigarro que não termina ao chegar perto da boca.